8.19.2008

07/08/2008 Depoimento Protógenes


Quinta-feira, 7 de agosto de 2008 Pag. 4 POLÍTICA
Protógenes defende mais poderes para investigar
Tiago Pariz e Mirella D\'elia
OPERAÇÃO SATIAGRAHA

Delegado teme que mafiosos assumam o lugar das autoridades, caso não se adote medidas mais duras no combate ao crime organizadoO delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz sugeriu ontem mudança na lei sobre interceptações telefônicas para aumentar o poder policial e agilizar as investigações. Para ele, o atual sistema é atrasado e muito dependente da Justiça. O policial defendeu a necessidade de se criar uma legislação específica sobre terrorismo sob pena de abrir espaço para mafiosos tomarem conta do poder. “Se vamos aperfeiçoar (a legislação dos grampos) para impor limitações, vamos estar ainda mais atrasados. Se não tomarmos medidas para ampliar, respeitando a Constituição, a mobilidade da autoridade policial para combater o crime organizado, daqui a pouco quem vai estar sentado nas mesas de autoridades é um mafioso”, disse o delegado. Responsável pela Operação Satiagraha, que desmantelou uma quadrilha supostamente comandada pelo banqueiro Daniel Dantas, Queiroz evitou afirmar se Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula Silva, teve o telefone grampeado, mas disse que ele foi objeto de investigação da operação, assim como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. O delegado também esquivou-se de detalhar o motivo da investigação em cima do chefe de gabinete. No inquérito, Greenhalgh aparece como tendo feito tráfico de influência dentro do Palácio do Planalto a favor do banqueiro Daniel Dantas em conversa com Carvalho. O assessor de Lula dispõe-se a checar com o Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela Agência Brasileira de Investigação (Abin), se há investigação sobre o banqueiro. Carvalho retorna a ligação ao ex-deputado e afirma que não haveria investigação de pessoas ligadas a Dantas. Queiroz, no entanto, admitiu o uso de agentes da Abin no inquérito que culminaram na Satiagraha. Mas enfatizou que os arapongas não participaram das interceptações telefônicas, mas de análise e cruzamento de endereços e cadastros dos investigados.

Comando

O delegado afirmou ter encontrado dificuldades nas investigações. E disse que a troca de comando na PF, de Paulo Lacerda para Luiz Fernando Corrêa, resultou em novas prioridades da nova diretoria-geral. “Como ocorre em todas as investigações que envolvem organizações poderosas, elas são permeadas por óbices que devem ser transpassados”, disse aos integrantes da CPI. O delegado esquivou-se de várias perguntas sobre detalhes da operação se escorando na Constituição. Mas as repetidas recusas causaram revolta em integrantes da CPI, como o presidente Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Os dois acabaram se desentendendo com Laerte Bessa (PMDB-DF), que defendeu o delegado, e bateram boca. Protógenes tentou evitar o depoimento na CPI com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal alegando que poderia ser prejudicado no curso que faz na Academia da PF, mas o ministro Carlos Alberto Direito negou o pedido.

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