4.20.2009

15/04/2009 94.º Aniversário do Genocídio Armênio

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Sessão: 069.3.53.O
Hora: 15:16 Fase: PE Orador: ARNALDO FARIA DE SÁ Data: 15/04/2009
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no próximo dia 24 de abril, registra-se o 94º aniversário do genocício armênio, razão essa que não nos leva a comemorar a data de 24 de abril, mas sim a fazer esse registro pelos fatos históricos que marcaram essa data.O pretexto do Governo turco otomano de então, sob a liderança dos Jovens Turcos, para desencadear o planejado genocídio cruel e desumano do povo armênio, foi a eclosão da 1ª Guerra Mundial.Esse genocídio de 1915 a 1923, que dizimou um milhão e meio de mártires armênios com matanças e deportações forçadas, desarticulando a vida do povo armênio, provocou a miséria, o desespero e a desolação nos remanescentes e em uma legião de refugiados pelo mundo afora, constituindo a diáspora armênia.A ordem emanada pelo Governo dos Jovens Turcos de então, através de Talaat Paxá, Ministro do Interior da Turquia em 1915, determinou a matança de um milhão e meio de armênios, friamente assassinados. A realidade é uma só e não admite tergiversação nem inversão dos fatos, muito menos a negação dos mesmos, como vem procedendo o Governo turco. Não foi por acaso a diáspora armênia. E por que nossos pais e avós, fugindo dos horrores, deixariam seu povo, sua terra, enfim, seu lar, abandonando tudo para se refugiar em terras longínquas, para poder sobreviver a essa hecatombe do genocídio de 1915, o primeiro do século XX, executado pelos bárbaros turcos?Em terras estranhas, mas contando com o acolhimento da solidariedade dos povos irmãos onde se refugiaram, ajudaram a construir com o seu labor, contribuindo com o desenvolvimento político, econômico e social da segunda pátria que adotaram. Fato histórico inegável que dizimou 1,5 milhão de armênios nos idos de 1915, registrado nos anais da História universal e cinicamente negado pelas autoridades do Governo turco, num negacionismo continuado, ridículo, irreal, na contramão dos fatos fartamente comprovados, que repudiam e violam a própria consciência de renomados escritores, historiadores, intelectuais turcos, como, entre outros: Ayse Günaysu, membro da Comissão contra o Racismo e Discriminação da Associação de Direitos Humanos da Turquia, que afirmou que "reconhecer o genocídio armênio é o único meio de trazer justiça às nossas vidas", e, mais recentemente, as declarações do historiador e professor catedrático turco nos EEUU Taner Akcham, especialista em genocídio, que fez apelo ao Presidente Barack Obama para reconhecer o genocídio armênio, instando-o a pôr um fim a essa questão, pois, segundo disse, já é passada a hora de fazê-lo. Outro fato da brutalidade turca: o assassinato, na Turquia, do jornalista turco de origem armênia Hrant Dink. O Governo turco atual proíbe a liberdade intelectual (de pensamento), exclui investigação de sua própria história, institucionaliza a mentira nas escolas turcas, distorcendo a verdade dos fatos, e viola os direitos humanos. Hrant Dink e outros perseguidos e assassinados que o digam. Que classificação se poderia atribuir a não ser de genocídio para tão brutal matança organizada e planificada por dirigentes governamentais turcos, cujas mentes doentias produziram as mortes intencionais de um milhão e meio de vítimas, conforme documentos oficiais existentes, recomendando a seus subordinados o extermínio sem dó nem piedade, sem ouvir a voz da própria consciência, além da usurpação de territórios genuinamente armênios?Não se tem que acrescentar mais nada ante o acervo de provas em livros, depoimentos de sobreviventes, documentos e relatos de testemunhos de autoridades, como, entre outros, embaixadores, cônsules americanos e europeus e de pessoas simples de credibilidade incontestável, que descreveram a hediondez desse crime de lesa-humanidade, que repugna a consciência humana. Numa brutalidade inimaginável pela mente humana, crianças, mulheres e idosos indefesos eram trespassados pelas espadas da soldadesca turca. É nesse quadro tétrico que foram realizadas as deportações de uma cidade, de uma província, de um lugarejo para outro. No trajeto, sucumbia-se de fome e frio, e os que conseguiam sobreviver eram friamente assassinados. Heranças que deixam marcas indeléveis para as gerações futuras. A impunidade durará ainda quanto tempo? É chegado o momento e a oportunidade histórica da democracia, principalmente com a mudança dos rumos políticos nos EEUU com o novo mandatário Barack Obama. E o mínimo que se pode fazer é o imediato reconhecimento do genocídio armênio, praticado pelos turcos otomanos em 1915, com as consequências decorrentes.Era o que tinha a dizer!

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