3.10.2010

10/03/2010 Governo quer legalizar bingos

Quarta-feira, 03 de março de 2010 - 20:02

Governo quer legalizar bingos
Contra maioria da opinião pública, base de Lula na Câmara apressa votação da lei que libera volta do jogo
JOÃO CARLOS MOREIRA
A base aliada do governo federal na Câmara dos Deputados espera aprovar até abril o projeto de lei que autoriza o funcionamento de bingos em todo o país. Parlamentares governistas acreditam que a proposta poderá ser votada tão logo a Casa encerre as discussões relacionadas ao pré-sal, nos próximos dias. Depois de aprovado pelos deputados federais, o projeto deverá seguir para o Senado, para passar por nova votação.
“Os líderes dos partidos aliados já manifestaram intenção de votar o projeto (dos bingos). Não se trata de algo prioritário para o governo, mas nós não vamos colocar qualquer empecilho à votação”, disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara. Ele admitiu que o tema é polêmico, mas argumentou que a atual situação das casas de jogos é pior.
“Há bingos funcionando ilegalmente em vários locais, sem qualquer fiscalização. É melhor legalizar e fiscalizar, impedindo que o crime organizado domine o setor”, explicou o petista. A proibição aos bingos tem apoio da população desde 2004, quando o presidente Lula vetou a jogatina pela primeira vez. Pesquisa Datafolha da época, confirmada por outras mais recentes, mostrava que a maior parte dos brasileiros apoiava a restrição.
Autor do projeto que legaliza os bingos, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) disse que as mudanças incluídas na proposta tornaram o tema mais aceitável. “Parte do dinheiro arrecadado vai para a saúde, que é uma área precisa de recursos. O controle on-line também vai evitar que as casas sejam usadas pelo crime organizado”, disse.
Contrário à legalização, o deputado Mendes Thame (PSDB-SP) rejeita o argumento. “O gasto necessário para fiscalizar o jogo não compensa o valor arrecadado. E sabemos que isso vai estimular o vício, o crime, a corrupção”, disse. Ele não vê chances de barrar o projeto na Câmara. “Talvez no Senado seja possível”, arriscou Thame.
Jogador diz que é um risco
O jogador compulsivo é descrito no site dos Jogadores Anônimos (JA), como uma pessoa que tenha passado por problemas contínuos e crescentes em quaisquer aspectos da sua vida por causa do jogo sem controle.
Durante oito anos, o empresário Paulo (nome fictício), de 55 anos, perdeu boa parte de seu dinheiro na “Ilha da Fantasia”. É deste modo que ele costuma se referir às casas de bingo, para ele, um local de fuga para jogadores compulsivos.
“Você foge da vida real. Lá dentro não há relógio, janelas, você perde a noção de tempo. É uma hipocrisia dizer que se trata de um ingênuo jogo de velhinhos”, afirma Paulo.
A psicóloga Danielle Rossini, do Projeto Ambulatório do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas (HC), diz que depois do fechamento dos bingos houve uma redução de pacientes.
“Não quer dizer que estão curados, mas quanto menos estão em exposição menores são as chances de surgirem jogadores patológicos”, diz Danielle.
Para a psicóloga, a reabertura dos bingos pode funcionar como um gatilho, que vai incentivar o surgimento de novos jogadores compulsivos. Segundo a médica, estudos internacionais apontam que aproximadamente 4% das pessoas que entram em contato com jogos de azar vão apresentar algum problema.
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