2.13.2012

09/02/2012 Polícias Militar, Civil e Bombeiros decidem entrar em greve no Rio


Polícias Militar, Civil e Bombeiros decidem entrar em greve no Rio

O grupo defende que o cabo Benevenuto Daciolo seja solto.
Os batalhões juntos têm mais de 70 mil homens.



Um grupo de mais de mil policiais decidiu entrar em greve no Rio de Janeiro. Os batalhões, que juntos têm mais de 70 mil homens, não se pronunciaram sobre essa decisão. O grupo, que estava em vígilia desde o começo da tarde, também defende que o cabo Benevenuto Daciolo seja solto.
A auditoria de Justiça Militar decretou na noite desta quinta-feira (9) a prisão preventiva do cabo Benevenuto Daciolo. Ele já estava detido administrativamente. O bombeiro militar do Rio é acusado de crime de incitamento e de aliciamento a motim. Daciolo estava em Salvador onde foi flagrado em conversas telefônicas articulando um movimento nacional de greves.
As gravações foram divulgadas com exclusividade pelo Jornal Nacional. Numa delas ele aparece falando com o deputado federal Arnaldo Faria de Sá, do PTB, de São Paulo. "Uma das conversas é comigo, onde ele pergunta da possibilidade dessa emenda ser votada na semana que vem,  em segundo turno. Depois de consultar o presidente Marco Maia, eu respondo a ele que não é possível porque o presidente diz que sobre greve não colocará em votação".
Eles conversam sobre uma possível votação da PEC-300, a emenda constitucional que garantiria um piso salarial único a bombeiros e policiais de todo o Brasil.
Daciolo - Não sei se o senhor sabe. Eu estou com uma assembleia geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano. São Paulo está para dar uma resposta agora e os outros estados também. (...) Nós acreditamos que se tivesse uma resposta do governo, assinalando numa possibilidade de votação no segundo turno da PEC, acalmaria muito, muito o que está acontecendo na federação.
Nesta quinta-feira (9) parlamentares do Rio aprovaram uma antecipação salarial dada às forças policiais de 37,5%, em duas parcelas.
Juntas, as três corporações têm um efetivo de mais de 70 mil homens. Na noite desta quinta um grupo de aproximadamente duas mil pessoas se reuniu na Cinelândia, no centro do Rio.
Os manifestantes decidiram fazer uma vigília e dar um prazo até a meia-noite para o governo do Rio aceitar uma pauta de reivindicações que inclui piso salarial de R$ 3,5 mil e a libertação do cabo Benevenuto Daciolo.
O presidente da associação, que reúne oficiais da PM e dos bombeiros, disse que apesar de considerar insuficiente a proposta salarial do governo do estado, é contra a greve das corporações.
“Primeiro apelo aos policiais militares civis e bombeiros no sentido de que não façam a greve porque estaremos ferindo a constituição guardiões que somos da lei não podemos nós mesmo feri-la. E o segundo apelo ao governo pra que com toda a responsabilidade possa verificar a questão salarial”, di oz presidente da Asociação dos Oficiais Militares Estaduais, Fernando Belo.
O apelo também foi feito pelo secretário de Segurança e pelo governador Sérgio Cabral. “Confio no bom senso dos policiais, o que está sendo dado a eles é um reconhecimento do que esses policiais vêm fazendo pelo Rio de Janeiro. Ao longo de oito anos vai beirar 120% de aumento, considerando que temos uma inflação nacional que paira a 6%”, diz o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
“Tenho certeza que aqui no Rio de Janeiro os profissionais de segurança  sabem das suas responsabilidades. Quando eles entraram no serviço público, eles sabem de como é essencial esse serviço para a população. Existem direitos e deveres. Não tenho dúvidas que eles terão consciência das suas obrigações profissionais”, declara o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Na noite desta quinta, o comando geral da Polícia Militar do Rio distribuiu uma nota oficial onde diz que a corporação está preparada para enfrentar qualquer situação que se apresente a partir desta madrugada, e garante que a população do Rio pode confiar nas medidas adotadas para garantir a lei e a ordem. O Exército e a Força Nacional de Segurança também estão prontos para atuar no Rio se forem convocados.
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