2.13.2012

10/02/2012 Justiça Militar decreta prisão de policiais que participam de greve


Dos onze mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar, nove foram cumpridos até o início da tarde desta sexta-feira (10). Todos contra policiais militares, que serão levados para o presídio de segurança máxima, Bangu 1, localizado na zona oeste do Rio.
Segundo o comando da Polícia Militar, pelo menos 50 PMs foram presos administrativamente por terem se recusado a trabalhar nas ruas, mas ainda segundo o comando, a situação em todo o estado é de muita tranquilidade.
Aconteceram pequenos problemas em razão da greve, mas casos considerados isolados. Delegacias e quartéis do Corpo de Bombeiros estão funcionando normalmente, inclusive postos de salvamento nas praias.
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Até esta tarde, não houve necessidade de aumentar o reforço nas ruas. Quatorze mil homens do Exército e 300 da Força Nacional de Segurança estão de prontidão.
O comando dos grevistas não informou como está acontecendo a adesão ao movimento. O anúncio da greve foi feito por volta das onze e meia da noite de quinta-feira (9). Aproximadamente duas mil pessoas participaram da assembleia.

Pouco depois da decisão, policiais militares deixaram as ruas em algumas áreas, mas em outras o patrulhamento foi mantido, como na orla de Copacabana. Em quartéis dos bombeiros, na zona norte, havia equipes de prontidão. Mas pela manhã, na zona sul, algumas praias estavam sem salva-vidas.
O aviso de greve foi fixado na porta de uma delegacia. No batalhão da PM, no Leblon, alguns homens vestiam camisetas com a palavra greve. Guardas municipais estavam em lugares antes ocupados por PMs.
Nossas equipes percorreram vários pontos da cidade e encontraram policiais nas ruas.
O patrulhamento era normal no túnel Rebouças, a principal ligação entre as zonas norte e sul. Na unidade de polícia pacificadora da comunidade Santa Marta, em Botafogo.
Os grevistas pedem um piso salarial de 3.500 reais. Maior do que o reajuste oferecido pelo governo do Rio e aprovado ontem na Assembleia Legislativa. Pelo projeto, o aumento será pago em duas parcelas: uma agora e outra em fevereiro do ano que vem, quando o piso salarial dos militares deve chegar a 2.077 reais.
Os manifestantes também querem a libertação do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso acusado de crime de incitamento e de aliciamento a motim. O bombeiro do Rio estava em Salvador quando foi flagrado em conversas telefônicas articulando um movimento de greve.
Em um dos diálogos, Daciolo conversa com o deputado Arnaldo Faria de Sá, do PTB de São Paulo sobre a votação da emenda constitucional que criaria um piso salarial único para bombeiros e policiais de todo Brasil.
Daciolo - não sei se o senhor sabe. Eu estou com uma assembleia geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano.
“Uma das conversas é comigo, quando ele pergunta da possibilidade dessa emenda ser votada a semana que vem em segundo turno. Depois de consultar o presidente Marco Maia, eu respondo a ele que não é possível porque o presidente diz que sob greve não colocará em votação”, declara o deputado Arnaldo Faria de Sá, PTB-SP.
O comando de greve se comprometeu a manter 30% do efetivo trabalhando, como determina a lei. Em São Gonçalo, na região metropolitana, havia vários carros fazendo ronda e PMs em praças. Apenas uma cabine estava vazia.
Três agências bancárias na cidade foram atacadas a tiros no fim da madrugada. Ninguém se feriu. Para o batalhão da área, foi um ato de vandalismo.
Os batalhões de choque e de operações especiais, estratégicos no Rio de Janeiro, estão trabalhando normalmente e ajudando a reforçar a segurança nas cidades onde a adesão à greve é maior: em Campos e Volta Redonda. Na capital, a situação também é tranquila nas 19 comunidades que têm unidades de polícia pacificadora.
“Essa normalidade, essa tranquilidade que nós estamos vivendo hoje e também a mobilização que nós fizemos, decorre da consciência da nossa tropa do sentimento de responsabilidade que nós temos, um serviço essencial a proteção das pessoas. Então o que a gente precisa dizer é que as pessoas fiquem tranquilas, porque a Polícia Militar está na rua, são mais de sete mil policias militares em todo estado, o Bope está presente, o batalhão de choque, enfim, a situação da segurança está sob absoluto controle”, comenta o Cel. Frederico Caldas, porta-voz da PM-RJ.

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