2.13.2012

10/02/2012 Policiais e bombeiros do Rio de Janeiro decidem entrar em greve


 O Rio de Janeiro teve madrugada tranquila e de policiamento nas ruas. Na noite de quinta-feira (9), um grupo de cerca de dois mil policiais militares, civis e bombeiros decidiu entrar em greve. Horas antes, a Assembleia Legislativa já tinha aprovado um projeto de reajuste salarial para as forças de segurança.
O efetivo das três forças tem mais de 70 mil homens. Segundo a Polícia Militar, o patrulhamento é normal. A informação do Comando da Polícia Militar é de que a situação na cidade está tranquila, que as unidades estão funcionando normalmente e de que não há interrupção de qualquer serviço.
Essa decisão de greve foi tomada na noite de quinta-feira (9) na Cinelândia e reuniu cerca de dois mil manifestantes. A orientação dos grevistas era de que os policiais militares fossem aos quartéis, de que levassem suas famílias, de que não saíssem com as viaturas nas ruas e de que os bombeiros mantivessem 30% dos seus efetivos apenas atendendo casos de emergência.
Os manifestantes permaneceram noite adentro em vigília na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, e por volta das 23h30 anunciaram: “Bombeiros e PMs do Rio estão a partir de agora parados oficialmente”, declarou um manifestante. Eles querem que o governo do Rio aceite uma pauta de reivindicações que inclui piso salarial de R$ 3,5 mil e a libertação do cabo Benevenuto Daciolo.
A decisão foi tomada por um grupo de aproximadamente dois mil manifestantes e veio depois de, na manhã de quinta-feira (9), parlamentares do Rio de Janeiro aprovarem uma antecipação salarial dada às forças policiais de 37,5% em duas parcelas. Juntas, as três corporações têm um efetivo de mais de 70 mil homens.
Antes mesmo da decisão pela greve, o comando-geral da Polícia Militar do Rio distribuiu nota oficial em que diz que a corporação está preparada para enfrentar qualquer situação que se apresente a partir da madrugada desta sexta-feira (10) e garante que a população do Rio pode confiar nas medidas adotadas para garantir a lei e a ordem. O Exército e a Força Nacional de Segurança também estão prontos para atuar no Rio, se forem convocados.
Fernando Belo, presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais, que reúne oficiais da Polícia Militar e dos bombeiros, disse que, apesar de considerar insuficiente a proposta salarial do governo do estado, é contra a greve das corporações.
“O primeiro apelo é aos policiais militares civis e bombeiros no sentido de que não façam a greve, porque estaremos ferindo a Constituição. Guardiães que somos da lei, não podemos nós mesmos feri-la. O segundo apelo ao governo do estado para que, com toda a responsabilidade, possa verificar a questão salarial”, afirmou Fernando Belo, presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais.
O apelo também foi feito pelo secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral.
“Eu confio no bom senso dos policiais. O que está sendo dado a eles é, sem dúvida nenhuma, um reconhecimento do que esses policiais vêm fazendo pelo Rio de Janeiro. Ao longo de oito anos isso vai beirar 120% de aumento, considerando que nós temos uma inflação nacional que paira a 6%”, calculou o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame.
“Eu tenho certeza de que no Rio de Janeiro os profissionais da segurança sabem da suas responsabilidades. Quando eles entraram no serviço público, eles sabem de como é essencial esse serviço para a população. Há direitos e deveres, e eu não tenho dúvida de que eles terão consciência das suas obrigações profissionais”, declarou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
A auditoria de Justiça Militar decretou na noite de quinta-feira (9) a prisão preventiva do cabo Benevenuto Daciolo. Ele já estava detido administrativamente. O bombeiro militar do Rio é acusado de crime de incitamento e de aliciamento a motim. Daciolo estava em Salvador, onde foi flagrado em conversas telefônicas articulando um movimento nacional de greves.
As gravações foram divulgadas com exclusividade pelo “Jornal Nacional”. Em uma delas, Benevenuto Daciolo aparece falando com o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).
“Uma das conversas é comigo, quando ele pergunta da possibilidade de essa emenda ser votada semana que vem, em segundo turno. Depois de consultar o presidente Marco Maia, eu respondo a ele não é possível e que o presidente diz que sobre greve não colocará em votação”, afirmou o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), presidente da comissão da PEC 300.
Eles conversam sobre uma possível votação da PEC 300, a emenda constitucional que garantiria um piso salarial único a bombeiros e policiais de todo o Brasil.
Daciolo - Não sei se o senhor sabe. Estamos com uma assembleia geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano. E São Paulo a gente está para dar uma resposta agora e os outros estados também. Nós acreditamos que se tivesse uma resposta do governo, assinalando uma possibilidade de votação no segundo turno da PEC, acalmaria muito, muito o que está acontecendo na federação.
As associações das categorias afirmaram que os PMs só iriam atender casos de emergência, a Polícia Civil iria trabalhar apenas com 30% do efetivo e que os bombeiros também só iriam atender casos de emergência.
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