8.19.2014

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13/08/2014 - 17h16Atualizado em 14/08/2014 - 17h57

Deputados lamentam morte de Eduardo Campos, que será homenageado em sessão na Câmara

Lucio Bernardo Jr./Câmara
Bandeira a meio mastro em luto a Eduardo Campos
Em frente ao Congresso, bandeira a meio mastro em luto a Eduardo Campos.
A Câmara dos Deputados vai realizar, na primeira semana de setembro, sessão solene em homenagem ao candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, que morreu nesta quarta-feira, aos 49 anos. Ele era um dos sete ocupantes do avião que caiu em Santos (SP) pela manhã. Ainda não foram divulgadas as causas do acidente.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, disse que Eduardo Campos era uma liderança em ascensão e lamentou a tragédia. “Nós, do Nordeste, conhecíamos tão de perto Eduardo Campos, suas qualidades. Era uma liderança com muito entusiasmo, muito espírito público e, de repente, uma morte brutal no seu melhor momento de vida pública”, disse Alves.
Henrique Alves não quis comentar as repercussões que a tragédia terá no processo eleitoral. “Não temos como fazer essa análise. Estamos todos voltados para o emocional, no sentimento de dor. Ninguém tem cabeça para isso”, disse.
O ex-deputado federal Pedro Valadares, que era assessor da campanha do PSB, também morreu no acidente aéreo.
Luto
Após o anúncio da morte de Eduardo Campos, foram canceladas as atividades do Congresso Nacional previstas para esta quarta-feira – as reuniões do Conselho de Ética da Câmara e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras.
Os presidentes da Câmara e do Senado e os líderes partidários divulgaram notas de condolência. Vários deputados também utilizaram as redes sociais para prestar solidariedade à família de Campos e manifestar a tristeza pela perda de um político jovem e em ascensão. Eduardo Campos deixa a esposa Renata Campos e cinco filhos.
Deputado estadual e federal, secretário de Estado, ministro e governador de Pernambuco, Campos era o líder da chapa que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, junto com Marina Silva. Ele é filiado ao PSB desde 1990.
Homenagens
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, destacou que era amigo de Eduardo Campos, que foi deputado federal por três mandatos. “Era a liderança de uma geração que estava crescendo com muito vigor e muito entusiasmo”, disse.
Colega de partido de Eduardo Campos, o líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), comparou a morte de Campos à perda do seu filho Pietro. “Perdi um irmão, um líder, um guia. Rezo pelos familiares do Eduardo Campos, também pelos amigos Pedro Valadares e Percol”, disse o parlamentar, que foi a Santos acompanhar as investigações do acidente.
O líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), afirmou que o debate eleitoral ficará comprometido sem Eduardo Campos. “O país e o processo eleitoral perderão muito do debate que a inteligência do Eduardo iria protagonizar", disse o líder.
Já o líder do PT, deputado Vicentinho (SP), pediu aos colegas que suspendam as campanhas por três dias para respeitar o luto anunciado pela presidente da República, Dilma Rousseff.
O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), também lamentou. “Um baque grande que nos deixa atordoados. Difícil de expressar qualquer sentimento que não seja de grande consternação e de luto”, afirmou.
Sucessor
O PSB agora tem dez dias para indicar um sucessor para a chapa de Eduardo Campos entre os partidos integrantes da Coligação Unidos pelo Brasil (PSB-Rede-PPS-PPL-PRP-PHS-PSL). O substituto deve ser apoiado pela maioria absoluta das direções dos partidos coligados.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSB tem a preferência na indicação do substituto, mas pode renunciar ao direito para permitir a eleição de um integrante de qualquer outro partido integrante da coligação.
Atuação parlamentar 
Eduardo Campos foi eleito deputado federal três vezes, entre 1995 e 2007, e ocupou a liderança do PSB em três ocasiões. Um dos projetos de sua autoria, que ainda tramita na Câmara dos Deputados, é o PL 5718/05, que estabelece normas restritivas de gastos, mecanismos de transparência e punições voltadas para responsabilidade em campanhas eleitorais.
A proposta, que Campos chamou de Lei de Responsabilidade Eleitoral, estabelece teto para gastos nas campanhas eleitorais, a ser definido pela Justiça Eleitoral.
Campos também participou, em 2001, da Comissão Parlamentar de Inquérito da Nike-CBF, que investigou o tráfico de jogadores menores e a falsificação de passaportes. Ele foi sub-relator sobre o tráfico de jogadores menores.
Reportagem – Carol Siqueira e Idhelene Macedo
Edição – Pierre Triboli

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